sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O já aposentado e ultra-progressista Cardeal Mahony é removido de toda função pública por sua má gestão em casos de abusos de menores.


Igreja americana, o atual arcebispo de Los Angeles, Dom José Gomez, anunciou hoje ter removido de toda função pública e administrativa o seu antecessor, Cardeal Roger Mahony, por conta de sua má gestão nos casos de abusos sexuais de menores na década de 80. Mahony foi o titular da maior arquidiocese americana de 1985 a 2011. Gomez também divulgou a renúncia do bispo auxiliar Thomas J. Curry.

O anúncio se dá após a publicação pela arquidiocese, mediante ordem judicial, de arquivos relacionados ao modo com que foram geridos os casos de 122 sacerdotes acusados de abusos — documentos cuja leitura o Arcebispo José Gomez qualifica como “brutal e dolorosa”.
Como relatava no ano passado o Padre Michael Rodríguez, “em junho de 2010, documentos de tribunal confirmam que o antigo arcebispo de Los Angeles, Cardeal Roger Mahony, admitiu, em um depoimento juramentado, ter abrigado um padre molestador durante os anos 80. O molestador, Pe. Michael Baker atualmente está cumprimento pena de 10 anos de reclusão. A Arquidiocese de Los Angeles concordou em pagar uma quantia recorde fixada em US$660 milhões em 2007 a mais de 500 vítimas alegadas. John Manly, o advogado do autor, descreveu as afirmações do cardeal em seu depoimento como aquelas de alguém que ofusca, esquiva-se, mente e explica tudo”.
“The Mahony affair – o bispo de LA, que numa carta pastoral deixa dúvidas sobre a presença real de Cristo na Eucaristia. Madre Angélica acusa ele publicamente [no ar], prega obediência zero, e mesmo pedindo desculpas depois, ela não dá o braço a torcer. O conflito dura vários anos e ela não dá marcha ré. “Não tenho dedicado a minha vida inteira para louvar e adorar o Santíssimo Sacramento e agora, por que um cardeal diz estas coisas, vou ter que negar o que eu faço e ao que eu dediquei a minha vida? De jeito nenhum. Como vou enfrentar o Senhor dessa maneira?” Algum comentário de fontes oficiais disse: “Mother Angelica has the guts to tell him what we do not”. (Ela tem a coragem (?) de dizer o que não somos capazes de dizer nós)”.

MENSAGEM DE SUA SANTIDADE BENTO XVI PARA A QUARESMA DE 2013



Crer na caridade suscita caridade   
«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16)  

Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.
1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est1). A fé constitui aquela adesão pessoal - que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no acto globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) - , está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).
2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20).
Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade. Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que actua pelo amor» (Gl 5, 6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12).
A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf.Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15). A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).
3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialéctica». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operatividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de Abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressioo anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10). Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.
4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!
Vaticano, 15 de Outubro de 2012


BENEDICTUS PP. XVI
fonte: http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/lent/documents/hf_ben-xvi_mes_20121015_lent-2013_po.html

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

     COMO PREPARAR BEM A LITURGIA DA FESTA DA APRESENTAÇÃO DO SENHOR

                                     
Aqui veremos os ritos da festa que se comemora no dia 02 de fevereiro:

OBS.: Onde esta bispo, pode-se substituir por sacerdote, excetuando-se nos cao onde se usa mitra e báculo

241.    Neste dia, os fieis acorrem ao encontro do Senhor, levando luzes e aclamando com Simeão Aquele  que este reconheceu como Cristo, ´´a luz que se vem revelar as nações``.
        Exortem-se, portanto, os fieis a proceder em toda a sua vida como filhos da luz, pois a todos devem levar a luz de Cristo, feito eles próprios, em suas obras, lampadas ardentes.
   
  O ritual pode ser feito da seguinte forma:

              Procissão

242.    A hora conveniente, promove-se a concentração numa igreja menor ou noutro lugar adequado fora da igreja para a qual se dirige a procissão. Os fieis tem nas mãos velas apagadas.

243.   No lugar mais adequado, o bispo reveste os paramentos de cor branca requeridos para a missa. Em vez de casula pode revestir o pluvial, que tirará, finda a procissão. Com os seus auxiliares dirige-se ao lugar da benção das velas.

244.   Chegado o celebrante ao local da benção das velas e terminado o canto, depõe a mitra e o báculo e diz, voltado para o povo: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Depois, saúda o povo: A paz esteja convosco, e profere a monição introdutória. Se for conveniente, poe confiar ao diácono ou algum concelebrante esta monição.

245.   Após a monição, benze-se as velas, pronunciando a oração, de mãos estendidas, enquanto o ministro sustenta o livro, e asperge as velas com água benta, sem dizer nada. Recebe novamente a mitra e impõe e benze o incenso para a procissão. por fim, recebe do diácono ou outro auxiliar a vela acesa, que leva na procissão.

246.   Quando o diácono diz: Vamos em paz, ao encontro do Senhor, inicia-se a procissão em direção à igreja, onde será celebrada a Missa. À frente, o turiferário com o turíbulo fumegando, depois o acólito com a cruz entre os castiçais de velas acesas. Segue-se o clero, o diácono com o Evangeliário, outros diáconos se os houver, os concelebrantes, o ministro com o báculo e, atrás deste, o Bispo de mitra, com a vela na mão; um pouco atrás do Bispo, os dois diáconos assistentes; depois, os ministros do livro e da mitra, e por fim, os fieis. Todos, com velas nas mãos.
  Durante a procissão, canta-se a antífona Luz para iluminar as nações, com o cântico Nunc dimittis, ou outro canto adequado.

247.  Ao entrar a procissão na igreja, executa-se o canto de entrada da Missa. Chegado ao altar, o Bispo faz-lhe a devida reverência e, se for oportuno, incensa-o. Depois, dirige-se à Cátedra onde depõe o pluvial, se o tiver levadona procissão, reveste a casula e, cantado o hino do Glória, reza a coleta, como de costume. E continua a missa na forma habitual.
   Também se pode fazer de outra maneira, se julgar preferível:
   O Bispo, chegado ao altar, entrega a vela ao diácono, depõe a mitra e o pluvial, se o tiver usado na procissão, reveste a casula, reverencia o altar e incensa-o. Depois, dirige-se para a cátedra. Aí, omitidos os ritos iniciais da Missa e cantando o hino do Glória, recita a coleta, como de costume. Depois, a missa continua habitualmente.

Fonte: Cerimonial dos bispos
MATÉRIA DE: Luis Felipe Oliveira

Explicações sobre alguns objetos episcopais


                                                                      Mitra
Uma das insígnias que com muita nobreza ornamentam a figura de um Príncipe da Igreja nas celebrações litúrgicas é a Mitra (do grego μίτρα: cinta, faixa para a cabeça, diadema).
Esta possui também outras denominações, tais como Apex (barrete), sertum (grinalda), corona gloriae, gálea(capacete), tiaracidaris, e insula. As duas cintas que caem de cada lado de sua base chamam-se vittae.
No Antigo Testamento era prefigurada por um pequeno e tênue tecido, composto e preparado com fios, usado pelos Pontífices hebreus no Templo.
A Mitra, tal qual a conhecemos atualmente, deve sua origem aos Bispos gregos, que foram os primeiros a usarem-na, colocando nela pedras preciosas sobre a tela, imitando os Reis e Imperadores, passando posteriormente essa tradição para o Ocidente.
O primeiro Sumo Pontífice que usou Mitra foi São Silvestre, posta na cabeça com um diadema.
Este paramento, em seu conjunto, simboliza um capacete de defesa que deve tornar o prelado terrível aos adversários da verdade. Lembra a descida do Espírito Santo sobre as cabeças dos Apóstolos, de quem os Bispos são legítimos sucessores. Por isso, no Rito Romano, apenas aos Bispos, salvo por especial delegação, cabe presidir ao Sacramento do Crisma ou Confirmação.
O fato de a Mitra possuir duas pontas tem um significado todo especial. Moisés, depois de receber as tábuas da Lei no Monte Sinai, desceu com aqueles dois resplendores celestiais que Deus pôs em seu rosto e lhe subiam pela cabeça. Também podem simbolizar os dois Testamentos: o Antigo (parte posterior) e o Novo (parte anterior), que o Bispo deve conhecer perfeitamente para iluminar os fiéis a ele confiados com sua doutrina e resplendor. Elas figuram ainda os dois preceitos, com os quais a Igreja deve governar: o amor de Deus e do próximo.
As duas tiras estreitas que há na Mitra e descem da base posterior (vittae), representam os dois sentidos que há na Escritura: o espiritual e o literal, nos quais o Bispo deve ser mestre, explicando-a com tanta propriedade que se possa tirar dela o espírito que dá vida aos filhos da Igreja. As duas fitas caem sobre os ombros significando que o que prega com a palavra deve executá-lo com as obras, cujo exemplo seus súditos devem seguir.
Existem dois tipos de Mitras: uma ornada com pedras preciosas (símbolo da caridade), chamada phrigiata(frisada); a outra, simplex. A primeira, o Prelado usaria nas grandes solenidades e nos pontificais. A segunda, nos ofícios simples e de defuntos.
Como o leitor pode com facilidade perceber, possui a Mitra, tanto em seu conjunto como em cada uma de suas partes, uma grande quantidade de significados e que se referem especificamente à figura do Bispo. É ela de fato uma coroa que ornamenta a fronte do Prelado, e que simboliza o que há de sagrado em sua augusta vocaçãoEm comunhão com a Cátedra de Pedro, o Bispo é Príncipe da Igreja. E esta, o Corpo Místico de Cristo, que se organiza como uma verdadeira sociedade visível. Ensina a Doutrina Católica que a principal finalidade da Esposa de Cristo é conduzir as almas à eterna salvação. De onde se pode perceber qual deve ser a grandeza da missão episcopal, pois diz respeito à participação no governo dessa sociedade, cujo fim é tão inefavelmente elevado.
Esta é a razão pela qual se pode afirmar ser o episcopado, submetido devidamente à autoridade do Sumo Pontífice, a mais nobre das funções existentes no mundo em que vivemos, pois o que se relaciona ao espiritual está evidentemente acima do temporal. Aliás, é consequência própria de seu caráter episcopal a dignidade que possui o Santo Padre, que por ser o legítimo sucessor do Apóstolo São Pedro, é o Bispo de Roma e, por isto, o Bispo dos Bispo


Solideo


O solidéu é uma pequena calota que os clérigos usam na cabeça. Sendo preto para os padres, para todos os monsenhores é preto com frisos violáceos. Todo violeta para os bispos, vermelho para os cardeais e branco para o papa. Nas figuras abaixo temos as diferentes cores de solidéu. No detalhe os frisos violeta do solidéu dos monsenhores. 

Baculo
Usado pelos prelados da Igreja Católica, simbolizando o seu papel de pastores do rebanho divino. Com a mitra, constitui uma das principais insígnias dos bispos.

Na liturgia da Missa, apenas Prelados com caráter episcopal (Bispos, Arcebispos, Patriarcas e Cardeais) o podem portar. É usado nas procissões, na leitura do Evangelho e na administração dos Sacramentos, desde qu
e não haja necessidade da imposição das mãos. O Papa no lugar do báculo usa a férula papal , que indica sua jurisdição universal. Os usos na liturgia são os mesmos. Seu formato lembra um báculo de um pastor de ovelhas; Sua cabeça curva serve para puxar a ovelha para junto de seu rebanho e sua extremidade pontuda serve para atacar e ferir o lobo. Assim é o báculo de um Bispo: Como sucessor dos apóstolos, sua função é unir seu rebanho de fiéis e defendê-los do maligno.

O uso do báculo pelos Bispos, significa também o pastor que está à frente de sua Diocese.





Barrete
O barrete é um objeto quadrangular provido geralmente de 3 palas e quase sempre de um pompom. Sua cor varia de acordo com o clérigo, podendo ser usado por todos. O barrete tem uma representação de autoridade. Ao pronunciar uma sentença, por exemplo, os juízes na antiguidade utilizavam o barrete. Os doutores (acadêmicos) utilizam o barrete em funções solenes. O padre, durante a confissão, utilizava obrigatoriamente o barrete para simbolizar exatamente que era ele em posição de Juiz que estava absolvendo o penitente. Nas funções litúrgicas, igualmente, para demonstrar a função de autoridade, junto com os outros clérigos. Ainda hoje é profundamente recomendável que o padre faça uso do barrete no exercício de suas funções. Ao lado temos a representação de um barrete tradicional: ao lado destacamos as palas, em número de três; ao lado destaca-se o pompom ao centro e pode-se ver com maior precisão as três palas (o lado sem pala é o da orelha esquerda) . Também vemos o solidéu, este consta de oito partes costuradas entre si com uma pequena proeminência. Barrete e solidéu tem a sua cor definida de acordo com o clérigo.


Cores e Hierarquia



O barrete é preto com borla preta para os padres e diáconos, Para os monsenhores Capelães de Sua Santidade, Prelados de Honra e Protonatários Supranumerários é munido de borla violeta. Para os Protonatários Numerários deve possuir borla vermelha. Os bispos usam barrete violeta. Os cardeais usam barrete todo vermelho e sem borla. O papa, embora esteja em desuso, faz uso do barrete branco. Ao lado temos um barrete de monsenhor, abaixo um cardinalício (detalhe para a ausência de borla) e um episcopal.


Uso durante as celebrações
Como a mitra, é retirado durante várias partes da celebração, : nas preces introdutórias, nas orações presidenciais, nos hinos quando são cantados de pé, durante o evangelho, a oração dos fiéis, o credo e toda a liturgia eucarística, desde depois de receber os dons até retomando-o após a oração após a comunhão. Diferentemente da mitra, não se usa barrete para dar a bênção final ou oração sobre o povo, seja na missa seja fora dela. O barrete pode ser usado com as vestes corais (nas quais é obrigatório), com casula ou pluvial, ou ainda apenas com estola para o sacramento da confissão. Abaixo temos um bispo em vestes corais que faz uso do barrete violeta, um cardeal que usa barrete vermelho com o pluvial e um padre que ouve as leituras da missa usando barrete preto. Quando se usa mitra, não se faz uso do barrete.
Uso fora das celebrações
O uso do barrete também pode dar-se fora das celebrações, podendo acompanhar a batina, mormente quando usa-se mantel. Abaixo observamos Dom Antônio Keller fazendo uso do barrete violeta com mantel e um padre que usa seu barrete preto com a mesma capa.





Barrete Cardinalício
Após a abolição do galero cardinalício, o barrete tomou seu lugar na principal cerimonia do colégio: a criação. Quando o papa escolhe um homem para se tornar cardeal, a cerimonia que marcava o ingresso dele no colégio dos cardeais era o recebimento do galero (chapéu de abas largar e munido de borlas). Atualmente o cardeal recebe o barrete de cor vermelha como se mostra na figura abaixo. Em virtude de tal importância, os cardeais são proibidos de usar barrete com vestes comuns, isto é, seu uso resume-se às vestes sagradas e às vestes corais.